domingo, 12 de dezembro de 2010

Poesia de Fernanda de Castro, sempre.

Reminiscência

"...Lisboa, Santarém, Porto, Leiria..."
(eu sabia de cor toda a geografia)
O Senhor Inspector
deu-me a nota mais alta em geografia
e disse gravemente:
- "Continua. Hás-de ser gente..." -


"Ângulo recto, agudo,
cateto, hipotenusa..."
(Já manchara de giz a minha blusa
mas respondia a tudo
e a Professora sorria
enquanto eu papagueava a Geometria)


- "...D.Sancho, o Povoador...
D.Dinis, o Lavrador...
(Tinha então boa memória,
sabia as datas da história...)
1380
1640
1143
em Arcos de Valdevez...
(Muito bem, a pequena é simpática).


- "Vamos lá à gramática." -
"...E, nem, não só, mas também...
conjunções copulativas"
(Eu pensava na alegria
que ia dar a minha mãe,
nas frases admirativas
da velha D.Maria,
a minha primeira mestra:
- Tão novinha e ficou "bem"!" -
e esta suavíssima orquestra
acompanhava, em surdina,
o meu primeiro exame de menina
aplicada, orgulhosa e inteligente...)


- "Vá ao quadro, menina! Docilmente
fiz os problemas, dividi fracções,
disse as regras das quatro operações
e finalmente
O Senhor Inspector felicitou-me,
quis saber o meu nome
e declarou-me
que ficara "distinta" sem favor.


Ah! que esplendor!
Que alegria total e sem mistura,
que orgulho, que vaidade!
Olhei de frente o sol e a claridade
não me cegou.
As estrelas, fitei-as como iguais.
Melhor: como rivais,
e  a Humanidade
pareceu-me um rebanho sem vontade,
uma vasta colónia de formigas...
(As minhas pobres, tímidas amigas!)


Pouco depois, em casa,
a testa em fogo, o olhar em brasa,
gritei num desafio
à Terra, ao Céu, ao Mar, ao Rio:
- "O mãe, eu já sei tudo!"
No seu olhar tranquilo, de veludo,
no seu olhar profundo,
que era todo o meu mundo,
passou uma ironia tão velada,
uma ironia
tão funda, tão calada,
que ainda hoje murmuro, cada dia:
"- Ó mãe, eu não sei nada!"

Fernanda de Castro

sábado, 11 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Banco Alimentar

os portugueses gostam de dar. são solidários. mesmo quando não podem dar muito, dão. dão o que não lhes sobra. repartem com quem precisa um pouco mais. porque ninguém pode ficar indiferente quando se sabe que há fome. no seu país. na sua cidade. no seu bairro. porque  não há serenidade quando se sabe que hoje irão deitar-se pessoas a enganar a fome. por isso os portugueses dão. são altruístas. e quem disser o contrário, não conhece bem este povo que pode ter muitos defeitos mas tem o dobro em qualidades.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dou por inaugurada a época de Natal

aqui neste cantinho, claro está.
portanto, ofereço-vos:




maravilhosa Susan Boyle 
esta senhora nem precisava de mudar a sua imagem. a sua grande beleza esta todinha na voz. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A crise dos 15 dias

não sei se já ouviram falar nela. pois, alguém me disse uma vez que 15 dias é o limite de tempo para um convívio perfeito com uma visita. e eu concordo. alguém chega a nossa casa, para aí passar "um tempo", e na primeira semana tudo é fantástico: conversa diferente, motivação para refeições especiais, saídas com programas que de outra forma não teriam lugar e dando prioridade aos gostos da visita. na segunda semana abranda o entusiasmo mas ainda corre tudo bem: a visita passa de personagem central a mais um de nós aqui em casa.  e no final dessa segunda semana começam os "olha, não vou fazer cerimónia", os "claro que podes, mas..." e, por fim os "afinal não vai dar para...". e pronto, acabou-se a festa. a partir da terceira semana - old habits die hard - o nosso canto do sofá tem que voltar a ser nosso; queremos retomar o fio à série fantástica da qual já perdemos dois ou três episódios; é absolutamente necessário passar um serão a arrumar as nossas tralhas e a ouvir as nossas músicas sem mais conversas de ocasião; desejamos a hora de dizer "adeus, até qualquer dia...". claro que há visitas e visitas. as mais fáceis são as que de modo subtil percebem e respeitam logo as regras da casa. as mais difíceis são as que nos obrigam a maiores alterações na rotina da casa. pelo menos para mim. mas em qualquer dos casos lá estão os quinze dias, e pronto.
Ora isto vem a propósito de uma visita que vou receber aqui em casa, por várias semanas!... A ver se arranjo truques de sobrevivência. Depois vos conto. 


     

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lindas noites

as que vamos passar este inverno. esperem e vão ver como estou tão certa. para os amigos (vocês) tudo. tudinho!